sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Cartinha para Sophia

Tudo começou no dia 07 de julho de 2007 (07/07/07 - bem cabalístico!). O Antonio me convidou para uma festa neste dia, seria a comemoração do aniversário dele no Dublin. Era um sábado de inverno bem chuvoso, liguei pra ele no final da tarde pedindo que passasse lá em casa pois eu não sabia onde era o bar. Decidi ir no meu carro pois assim poderia voltar pra casa quando me desse vontade. Paramos antes no posto, acho que ele foi abastecer, desci do carro e nos abraçamos, já fazia um tempão que não nos víamos. Ele estava com uma jaqueta de couro marrom. Seguimos para o local da festa. Chegando lá encontramos alguns amigos dele e logo em seguida chegaram a Cássia e a Rô. Conversamos e nos divertimos muito, fomos pra pista de dança e lá ficamos até a canseira bater. Na hora de ir embora fomos caminhando eu e ele até o estacionamento do Shopping Moinhos onde deixamos os carros. Detalhe: entramos antes por engano no Sheraton. Detalhe 2: o Antonio me carregou nas costas em pleno shopping (mas esta não foi a primeira vez que isso aconteceu!). Entramos no elevador para irmos para o estacionamento quando inesperadamente ele me beijou. E foi mesmo inesperado pra mim, nem em sonho imaginei que aquele beijo fosse acontecer. Só saímos do elevador quando o segurança veio chamar nossa atenção. Entramos em nossos carros e seguimos o caminho de volta pra casa. Chovia torrencialmente. Durante a volta eu não conseguia acreditar no que tinha acontecido. Quase na chegada ele me mandou uma mensagem convidando pra que eu fosse na casa dele, mas isso era uma coisa que eu não podia fazer, eu havia beijado meu melhor amigo e não estava entendendo nada direito naquele momento. Fui dormir com aquela doce sensação de adolescente apaixonada.
No outro dia, que era um domingo, mandei uma mensagem pra ele, não lembro o que eu escrevi. Ele me ligou e conversamos um pouco. Não nos vimos naquele dia. Na segunda-feira e na terça-feira trocamos muitos emails falando sobre o que havia acontecido e a estas alturas eu já estava com umas borboletinhas na barriga. Na terça a noite é que fomos nos reencontrar, saí da casa espírita e passei na casa dele. O Pedrinho estava lá estudando com ele (tão bonitinhos!). Conversamos um pouco, beijos, brilho no olhar, acho que começamos a namorar naquele dia.
Eu nunca havia gostado de ninguém daquele jeito, nunca havia tido tantas afinidades, alegrias e sonhos com outra pessoa. Cada vez que eu olhava nos olhos do Antonio eu tinha certeza do meu amor por ele, do amor dele por mim. Tinha certeza que aquele era (e é!) o amor da minha vida.
...
Em agosto eu fui demitida da empresa onde eu trabalhava e foi bem difícil pra mim, mas ao lado do Antonio, a dor doeu menos. No mês seguinte, em setembro, a mãe teve uma arritmia cardíaca e foi internada: UTI, 12 dias no hospital, várias coisas que eu não sabia como lidar. Mais uma vez, a presença do Antonio foi uma benção num momento difícil.
Logo em seguida com a chegada da primavera, chegou também uma mala lá em casa com as roupas do Antonio. Decidimos morar juntos. Foi uma fase de muita adaptação pra todos nós. Tivemos que aprender a conviver uns com os outros, eu, o Tony, a mãe, o Pedro. Cada um perdeu um pouco do seu espaço, mas todos ganhamos muito em crescimento e amor. Era o início da nossa família.
No início de 2008 começamos a obra lá em casa, criamos mais espaços para todos, inclusive para o nosso amor que crescia cada vez mais. Foram vários meses de muita poeira, movimentamos toda a energia parada que a casa tinha. Em maio fizemos a mudança das coisas do Antonio e do Pedro, e cada um de nós ganhou um espaço novo dentro de casa.
No início de julho passamos por outro sufoco: a mãe quebrou o fêmur, foi hospitalizada e novamente tivemos que girar em torno da situação, sacudir a poeira e dar a volta por cima. Tudo deu certo, do jeitinho que teria que ser: muita fé, paciência e resignação.

Presentes que a vida nos dá...
No dia 05 de agosto (28 dias após minha última menstruação, que foi no dia 9/7) fiquei cismada com o atraso que não era normal. Então no dia 07/8 fui fazer o exame de sangue. Peguei o resultado no dia 08 e nem acreditei, liguei pro Marcelo na mesma hora e ele confirmou o tão esperado diagnóstico: GRÁVIDA!!! EU ESTAVA GRÁVIDA!!! Era uma sexta-feira, véspera do dia dos pais, que seria no domingo. Procurei chegar em casa antes do Antonio, peguei o resultado do exame e coloquei numa caixinha de presente. Quando ele chegou entreguei o presente e disse: “Amor, este é o teu presente do dia dos pais, como eu não consigo guardar presente já vou te entregar hoje mesmo.” Lembro direitinho da cara que ele fez, ele não conseguia entender, quando caiu a ficha ele ficou muito, muito feliz. Eu não queria contar pra ninguém, mas resolvemos contra pra mãe e pro Pedrinho. Ficamos todos muito felizes. No outro dia o Antonio se encarregou de contar para o restante da cidade!

Bem, minha filha querida, tudo isso foi uma pequena introdução da história de amor entre teu pai e eu, para que sempre saibas o quanto tu foi amada, não apenas desde o primeiro momento em que descobrimos tua presença no meu útero, mas desde que nasceu o nosso amor.

A gestação
Por volta de um mês fiz a primeira eco, foi uma emoção indescritível: ver aquele projeto de ser humano, aquele coraçãozinho quase que solitário pulsando dentro de mim.
Nos primeiros dois meses da gravidez me senti mais ou menos estranha. É um período de adaptação com o corpo. Não que ele já comece a aumentar de tamanho, mas foi preciso me acostumar com a idéia do novo ser dentro de mim. Mas independente disso eu estava imensamente feliz, e o Antônio também, escolhemos os nomes: Ângelo ou Sophia. Era assim que chamávamos nosso bebê, sempre pelos dois nomes.
Lá pelo terceiro mês fiz a eco morfológica e vimos nosso bebê inteirinho. Ufa, que alívio! Só depois desta eco é que eu respirei aliviada. Eu queria tanto que tudo desse certo com o bebê, e deu!
Minha gravidez foi super tranqüila desde o início, não tive enjôos, não tive dores, quase que não inchei. Tem sido uma gestação abençoada. Apenas sono, muito sono: não consegui mais ver um filme inteiro!
O segundo trimestre foi o mais tranqüilo de todos. Descobrimos o sexo do nosso anjo: nossa doce Sophia, e curtimos cada momento. A primeira mexidinha dela na minha barriga, o crescimento da barriga. Papai Antonio sempre beijando muito e conversando com a barriga. Muito fofo. Começamos a planejar o quartinho; o Antonio teve que ter muita paciência com minhas crises de apreensão por causa destes planejamentos, eu sentia medo de que as coisas não estivessem prontas e organizadas a tempo. Muitas crises de choro eu tive, mas sempre tive colinho do meu amor que soube entender bem toda a sensibilidade que aflora ainda mais na gestação.
Quanto mais a barriga crescia, mas grávida eu me achava e mais bonita também. A minha barriga ficou muito bonita mesmo, deve ser de tanto amor que ela recebeu.
No finalzinho de dezembro mais uma hospitalização da mãe, e, vamos de novo: muita fé.
Em janeiro minha barriga já estava bem grande e minha aflição porque a obra ainda não havia começado também. Mas enfim encontramos pessoal e começamos mais uma vez a criar mais um espaço. Desta vez pra nossa pequena Sophia, seu primeiro lugar no mundo.
Com a chegada de fevereiro outra internação da mãe, 22 dias de hospital, duas cirurgias e muita aflição desta vez. Já com a barriga bem grande, eu me sentia muito dividida entre estar no hospital para dar atenção pra mãe ou repousar mais para o bem estar da Sophia. Mas lá fomos nós de novo, vários anjos nos ajudaram, o Antonio foi o anjo mais benfeitor e protetor de todos e serei grata a ele por toda a minha vida.
E enfim, como dizia Nietzsche o caos é necessário (poderia ter sido um pouquinho menos!), mas agora, aos poucos, tudo está voltando ao normal: a mãe está se recuperando e a obra está quase no final. Amanhã vamos receber o quartinho da Sophia.
E tu minha filha, está cada dia mais linda e maior, não pára de brincar dentro da minha barriga. Faz festa o tempo todo. Estamos com 34 semanas e tudo está certinho com a nossa saúde. Amém!
Peço todas as noites para os nossos anjinhos da guarda pra ter um bom parto, e que tu venhas com muita saúde.
Quando chegares aqui filha vais encontrar a mamãe e o papai mais felizes do mundo. Estamos todos muito felizes com a tua chegada, toda nossa família e os nossos amigos também.
A vida é maravilhosa Sophia, difícil muitas vezes, mas tudo pelo que passamos são chances que temos para crescer e para viver melhor. Tenha sempre bondade no teu coração, seja caridosa com todas as pessoas e procure nunca julgar os outros. Devemos procurar aceitar as pessoas como elas são, pois nós mesmos somos cheios de imperfeições. Nunca te deixes levar pela aparência das pessoas ou pelo que elas possuem. O que importa mesmo é o que elas são e o que elas sentem. É assim que eu e o teu pai procuramos viver a vida. E esta é a melhor coisa que podemos te ensinar. Lutar pelas tuas coisas, pelo que tu acreditas, cuidar do teu corpo, da tua mente e confiar sempre em ti. Nunca deixe que alguém te desanime ou te humilhe. Seja forte e determinada na vida. Se precisar cair e chorar: caia e chore. Mas depois levanta e bola pra frente, vai de novo. Quem mais precisa acreditar em ti, é tu mesma minha filha. Conserva teus amigos, tenha amor pela tua família, sorria muito e sempre. Tenha Deus no coração e ore sempre, quando precisar e quando não precisar também. Ele sempre nos ouve. Agradeça pela vida, pela chuva, pelo sol, viver é uma benção. Tu és uma benção Sophia. Seja amiga dos teus irmãos e solidária quando precisarem. Nunca dê mais valor as coisas materiais do que elas merecem, o que importa mesmo é ser feliz, viver em paz e com amor.
Daqui a pouco vais estar em nosso colo Sophia, vais ver no brilho dos nossos olhos o quanto te amamos. Queremos te criar da melhor maneira possível, sabemos que vamos errar também, mas sempre vamos tentar fazer o melhor. Sabemos que vamos aprender muito contigo também. E esta vai ser a grande mágica da nossa convivência filha: uma troca de amor e aprendizados.
Tua mamãe que já te ama muito.